terça-feira, maio 25, 2010

O começo eu sei

E quando eu disse que conhecer
havia se tornado necessário
não foi da boca pra fora
Mas isso não era certeza, só
muito menos pensamento

Depois de alguns dias
o que não se sabia
se deu em uma noite
em uma certeza
um tanto de carinho, descabido

O que eu temia
Hoje não me amedronta mais
Por que quando eu te vi
O sorriso se deu em mim
Assim, de jeitinho
Por você

Lincon Zarbietti

Fuerzabruta

Em uma noite se desfez sua força feminina
Ao cair nos braços de um alguém
E soltar-se como pluma de algodão
Por outro lado, percebi que essa queda
É a essência da sua força
Pois se entregou, confiando somente em si
Mostrando que quem comanda sua história é você
E acabo que me sinto fraco
perante essa força sua
construída em uma opaca simplicidade
Que acaba, sem forçar, me encantando

Lincon Zarbietti

(Des)conectado

Você pode até pensar:
"Isso é sem nexo"
Já ter se perguntado:
"Ele não relê isto?"
E até mesmo ter exclamado:
"Que lixo!"
Mas a questão é
Não escrevo mais para você
Não quero mais que você leia
Em resumo
Não me importo
com o que você pensa
Pois o que escrevo
São meus sentimentos
E eles
Não se ligam mais a você

"A única coisa boa que você me lembre é o Whiskey:
dentro de uma garrafa e com 12 anos!"

Lincon Zarbietti

sábado, maio 22, 2010

Egocentrismo (contradizendo Michaelis)

A minha produção é assim
Diária
Que dá na telha
Quando as palavras sobram
Mas não são ditas
Só escritas
Sem pé nem cabeça
Para que só eu entenda
Uma vez que só eu sinto
No meu mais profundo egocentrismo

Lincon Zarbietti
E conhecer outras pessoas tornou-se imprescindível
Um gostar tão grande
De nunca cair na monotonia
E mais que imprescindível
Inevitável
Para acalmar

E assim, conhecendo outras pessoas
Vou formulando novos venenos
Utilizando novos antídotos
Sendo infectado
A cada dia
Por mais pessoas
a conhecer

E, a cada dia que passa
Querer mais e mais
Conhecer
Para se conhecer
E não ser conhecido

Lincon Zarbietti

terça-feira, maio 18, 2010

Um dia

E hoje ouvi frases inimagináveis
Vi que as pessoas
estas, que amamos
São movidas pelos sentimentos do momento
Não por aqueles que são construídos
ao longo dos anos
E até mesmo estes
dos anos, do tempo
se tornaram mentiras
Guiadas pela explosão das palavras
A explosão do momento
E a gente se acha inútil
não por se sentir enganado
mas pelo sentimento
que de verdade se sente
não ser recíproco
Ou pior, mais dolorido
Por ter acreditado neste sentimento

Mas, tolo que sou
Acabo por acreditar
Que tudo isso é
da boca pra fora
Sem ter dedos do coração
Guiado pela raiva
Pois ódio não é raiva
e raiva é explosão
do momento
das palavras
de um coração confuso
que acaba por machucar
um coração outrém
Manchando, assim
todo um passado escrito
por um sentimento
Individual
talvez
De momento
talvez

Lincon Zarbietti

A cidade

É proibido colar cartazes nas paredes
Marcar as paredes também é proibido
Porém, um X pintado denuncia
Na composição do branco o X destoa
Vermelho!

É proibido escrever poesias, poemas, textos
na parede, no papel, no espaço comum
Um X preto marca, comanda
É proibido o sentimento
Transparente!

Nesta rua, nesta cidade, neste mundo
o transparente desaparece
a proibição inibe, entristece
O que desatina são os loucos
Roxos!

E os loucos que desatinam
que aparecem no vazio
são os loucos que escrevem
e depois desaparecem, no céu
Azul!

Lincon Zarbietti
Interessante ter pés
mais do que importante
tão interessante quanto ter pensamentos
e tão próximo também

Pensamentos te levam sem caminhar
Pés te levam, sem pensar
Mais do que interessante
é ter pensamentos com pés

Bonito
Caminhar pensando
Pensar caminhado
E depois, ninguém sabe mais

Lincon Zarbietti