terça-feira, junho 29, 2010

Sua respiração

De noite enlouqueço
De manhã adormeço
A tarde me esqueço
Quando respiras
tenho um novo começo

Lincon Zarbietti

segunda-feira, junho 21, 2010

Aos cuidados de Carolina

Tendo como princípio base 
desse meu pensamento ininterrupto por ti
Tudo o que eu sempre quis encontrar em alguém
mas só existia em teus encantos
Senti nas mãos o emaranhado de teus cabelos
rebeldes, vorazes, com vida própria
clareando da raiz às pontas
o que eu, na escuridão, tateava
Rebeldes e lindos, emoldurando teu rosto
o qual eu já tocara em íntimo pensamentos
Todo um tornar de realidade, de vida
em meio a suspiros e alívios
De tanto soprar ao pé do ouvido
de tanto gelar o coração
de tanto esquentar o que eu sempre esperei
Minha vontade de sonhar acordado para sempre
Me pego a sussurrar frases tolas
brisas do se fala por dentro
De tanto abrir e fechar os olhos,
em busca de responder a si mesmo
a consistência de tal realidade
Vou cedendo a teus múltiplos encantos
sem poder conter o sorriso, mecanismo quase automático
E então deparo-me com a realidade sonhada
Ofegante, sem ar, depois te tocar
Depois de atingir um prazer inigualável
de corpo e de mente
algo há tempos não alcançado
Tu vens e dormes em meu peito,
escutando meu coração que discursa em um dialeto próprio
Me fazes feliz, enquanto embolo meu pensamento
neste emaranhado adorável,
sonhado e admirado
Esqueço de tudo o que não me atrai
o que me destrói por dentro
Só me achando em ti
E quando, literalmente, acordo
Vejo que finalmente a realidade do meu sonho
me consome, me assola, me alegra
e já não quero mais dormir
pois tu estás diante de mim
e estou acordado, com seu cheiro em meu corpo
ainda sem descobrir
se teus olhos me olham
ou se sonho que me olhas
Intermitantemente
Felizmente

Lincon Zarbietti

quarta-feira, junho 16, 2010

Guaratinguetá

Um por-do-sol na ponte
O piquenique no gramado de céu laranja
A cachorrinha preta e branca
E as vacas no asfalto matinal

O frio e a névoa de junho
Uma estrada de terra
Uma piscina gelada
E um caminho de pneus até uma capela

Acaí gelado na tigela
Café com leite quente na caneca
Pizza caseira ao forno
Mousse de morango na geladeira

Trabalho
Liberdade
Amor
Esquecimento

Guara; Terra; Tin
Tin; das Garças; Gueta
Gueta; Brancas; Guara

Lincon Zarbietti

Um longo caminho do início ao...

Chegando o amanhecer
Quando o sol rabiscava o céu
Um pisão se deu em meu coração
E acordado estava
Daquele sonho que
de tempos em tempos
assola meu coração
Não mais flutuante em meus pensamentos
Noturnos e solitários
Vinícius veio me assombrar
me dizendo de mansinho:
"Do riso fez-se o pranto"
Pranto e história que não são minhas
Mas se colocam como se fossem
pois pior do que se multilar
é ver o outro, bem quisto
Aniquilado e fraco

Lincon Zarbietti

Baú

Breve história de uma tarde de sol frio

Ele poderia dizer tudo o que lhe parecia
e se sobressair nos sentimentos
Ser frio e calculista, gelar o coração
Mas diante daquela menina, às vezes mulher
sente-se pálido e fraco
Perde aquela coloração azul e vermelha, desaparece
É melhor só ouvir, atentamente
e assim o faz, procurando por um conforto
passível de oferecer, sem nada em troca
Com seus pensamentos seca aquele rosto de pele lisa e fina
seca-o com suas mãos, também
que em sua presença aveludam-se

Seguem-se as palavras mescladas em soluços
Contrariando seu coração, ele segue calado
Quando desiste de ser assim
não sabe ao certo se faz bem ou mal
e desiste de desistir
Só quer saber como fazer aquele choro parar
Sabendo que a culpa é dele
"Ela escolheu assim! Que aguente!"
O pensamento trancado, injusto, errôneo
pois o coração não se põe em jornalismo
não se mede e não se contenta

Ao retornar a si, ainda esta lá
Sentado, sem saber ao certo o que fazer
Perde-se mais ainda ao ouvir que o amor é ódio
E vice-e-versa
Que é importante mas que é motivo de partida
Só não entende como consegue ouvir no silêncio
individual do coração. Só!

Em tudo isto muito foi desmistificado, desvendado
Mas ficou a menina, às vezes mulher
da pele lisa e fina, do cheiro que não muda
Ficou a lembrança do que se viveu
Do que ainda se vive, mais confuso, talvez
O suor das mãos e o coração acelerado
O "eu te amo" que não sai mais
Um coração que teima em trair a mente
e um sentimento que ainda vive
Guardado em um baú
Sem tranca nem tampa, na sala de estar
perto da porta, a ponto de correr
sem limites, desenfreadamente, novamente
em busca de vida

Lincon Zarbietti


Espelho do eu

Não preciso sair dizendo por aí
As coisas que se dão no meu peito
Olhando para as pessoas
Com firmeza e voracidade
E dizer para elas os meus sentimentos
Acabo concluindo que
Só preciso dizer
Mesmo que para um espelho
Que sou mais forte
E assim me tornar menos
Cheio
Exausto
Inibido

Lincon Zarbietti

Felicidade Vermelha

Desta forma eu acabo por
ocupar mais minha mente
com coisas que realmenet
valem o acaso
Acabo por perceber que
não há por que sentir-se
incapaz, sem atitudes
Uma vez que
diferentemente de tudo
surge alguém que é menos
mas que é mais
sabida da vida
Da vida de se entregar
Conscientemente
Para o outro ver feliz
Atingindo assim
A própria felicidade

Lincon Zarbietti

terça-feira, junho 01, 2010

Tatuando-me

Sim! Marco em ti o que é marcado em mim
Tenho a idéia de dividir meus sentimentos
Os acasos
                                                       Cronograma
Contratempos
E nisso vou me encontrando
A todo instante
                                                        na sua cama
Em toda respiração
E um dia vou te deixar
Ou o contrário acontece
Irei marcar um outro alguém
Buscar outras marcas
Sem jamais
Apagar o que marquei em mim
junto de ti

Lincon Zarbietti

Mutacionando-se

Procuro a todo instante
um olhar diferente
Ver, não só o mundo
mas as relações humanas
de alguma forma
a qual fuja
aos meus parâmetros
Assim, ocorre uma
desconfusão de sentimentos

Por essas novas visões
vezes, íntimas, alcançadas
É possível entender
tantas coisas, escondidas
aos olhos envidraçados
emaecidos e esquecidos
pela retina do cotidiano
A miopia da mesmice

Lincon Zarbietti