quinta-feira, novembro 29, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
sábado, novembro 24, 2007
O Guardador de Rebanhos
(...)
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta)
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo.
Alberto Caeiro
Quem me Dera que eu Fosse o Pó da Estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena ...
sexta-feira, novembro 23, 2007
E não tenho nada para escrever
E mesmo se tivesse
não escreveria
Por que tristeza essa, não se encontra palavras
Só se sente
E nada mais
domingo, novembro 18, 2007
Inexplicável
Sem métrica, rima ou modo
Vou escrevendo
Não o que vêem, mas o que sinto"
Me responda
Veja se tem cabimento, você vir bater à minha porta?
Eu não me conformo com essa situação...
E olha que eu entendo esse meu coração!
Veja se tem cabimento?
Esse amor desvairado, jogado ao vento?"
Mas não digo que é ruim
Acordo e está tudo bem...
as vezes não durmo.
Ah que vida de cão!
É... (suspiro)"
segunda-feira, novembro 12, 2007
Palavras do Olhar
Quantas visões!
Aquela troca de olhares...
Era pra min!? Era! E se não fosse?
Mas era para ti, isso é certeza consumada
"Oi, que belo sorriso este teu!"
Disse eu, sem mover os lábios
Pedras, espinhos e amor
Mas que maravilha ofegante é caminhar
Me falta o ar
mas me sobra a vontade
Vai! Caminha!
Mesmo sem saber para onde
Pois só se tropeça para frente,
e só se quebra quanda se anda."
Aqui e Agora
"A todo momento vivo em êxtase
Vivo perplexo e não sei para onde seguir
Ou sei, mas preciso
viver mais desse momento
Único, inesquecível.
Junto à fumaça da felicidade"
quinta-feira, novembro 08, 2007
Carlos Drummond de Andrade
Viagem
Uma tremenda viagem
Ao meu eu, meu verdadeiro eu
Tenho hora marcada, mas não me importo
O tempo não vai passar
Estou ancioso, mas também não me importo
Me conhecer é o que me falta
Viajarei como nunca viajei antes
Mas vou voltar, prometo
Não sei se o mesmo, talvez não
O que importa é que vou voltar mais apaixonado
E mais apaixonado, vou viver mais"
quarta-feira, novembro 07, 2007
Ausência
Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia pra esperar
E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinha no meu canto
Tendo apenas o meu canto pra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi
A tua imagem fiel
Que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi
Vinicius de Moraes
segunda-feira, novembro 05, 2007
Poema de Sete Faces
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."Carlos Drummond de Andrade
Primeiro é sendo criança, mas já fui
Segundo é amando, mas criei espinhos
E por último é sendo louco
Já não penteio mais meus cabelos...
Sou Livre
Simples homem, comum do mundo
Escreva tanto? Todos os dias?
Quanto mais leio, quanto mais vivo
Mais vejo quão leigo sou
Quão irracional, inconstante e arrasador sou
Deve ser por isso que escrevo
Pois aqui, ninguém me põe rédeas
Não percorreria os mesmo caminhos
As mesmas trilhas, não te daria mais a mão
O que você merece não é um carinho apaixonado
Isso eu guardo pra min, e para os românticos eloqüentes
Você precisa é de uma mão na cintura
Outra nos cabelos
E um beijo apimentado
sábado, novembro 03, 2007
Inscrição Tumular
Que não me vê chorando, perdido nos seus cabelos
Um devaneio constante em minh'alma
De aperto do coração
A sorriso no rosto
O que ela me faz, nem ela deve saber
Não se explica, e creio que não é novo
Já é de antes, de muito antes, daquele tempo em quem o sol
Se punha sob telhados de barro
Do tempo em que olhares
Não eram somente olhares
Quero no meu jazigo
"Morreu, mas morreu feliz, pois na vida se apaixonou!"
Resumindo, viveu!
Ou melhor, vivi!!!
sexta-feira, novembro 02, 2007
O Amor daqui de Casa
Tem um sentimento forte
Que nem gemido na telha
Quando sopra o vento norte
Que nem cheiro de boi morto
Três dias depois da morte
Quem só conhece conforto
Não merece boa sorte
O amor daqui de casa
Tem um sentimento nu
Com gosto de umbú travoso
Com cheiro de couro cru
O amor daqui de casa
Bate asas no verão
Faz parte da natureza
É arte do coração"
Olá, Guardador de Rebanhos
"Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?
Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?
Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.
Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."
Alberto Caeiro







