Breve história de uma tarde de sol frio
Ele poderia dizer tudo o que lhe parecia
e se sobressair nos sentimentos
Ser frio e calculista, gelar o coração
Mas diante daquela menina, às vezes mulher
sente-se pálido e fraco
Perde aquela coloração azul e vermelha, desaparece
É melhor só ouvir, atentamente
e assim o faz, procurando por um conforto
passível de oferecer, sem nada em troca
Com seus pensamentos seca aquele rosto de pele lisa e fina
seca-o com suas mãos, também
que em sua presença aveludam-se
Seguem-se as palavras mescladas em soluços
Contrariando seu coração, ele segue calado
Quando desiste de ser assim
não sabe ao certo se faz bem ou mal
e desiste de desistir
Só quer saber como fazer aquele choro parar
Sabendo que a culpa é dele
"Ela escolheu assim! Que aguente!"
O pensamento trancado, injusto, errôneo
pois o coração não se põe em jornalismo
não se mede e não se contenta
Ao retornar a si, ainda esta lá
Sentado, sem saber ao certo o que fazer
Perde-se mais ainda ao ouvir que o amor é ódio
E vice-e-versa
Que é importante mas que é motivo de partida
Só não entende como consegue ouvir no silêncio
individual do coração. Só!
Em tudo isto muito foi desmistificado, desvendado
Mas ficou a menina, às vezes mulher
da pele lisa e fina, do cheiro que não muda
Ficou a lembrança do que se viveu
Do que ainda se vive, mais confuso, talvez
O suor das mãos e o coração acelerado
O "eu te amo" que não sai mais
Um coração que teima em trair a mente
e um sentimento que ainda vive
Guardado em um baú
Sem tranca nem tampa, na sala de estar
perto da porta, a ponto de correr
sem limites, desenfreadamente, novamente
em busca de vida
Lincon Zarbietti

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